Os cães enxergam o mundo de maneira distinta dos humanos, especialmente no que diz respeito às cores. Enquanto nós possuímos uma visão tricromática, que nos permite ver três cores primárias (vermelho, azul e verde) e suas combinações, os cães têm uma visão dicromática. Isso significa que eles enxergam apenas duas cores primárias, devido à presença de dois tipos de cones em seus olhos, em vez dos três tipos que os humanos têm.
Para os cães, o mundo é visto em tons de azul e amarelo. Eles não conseguem distinguir o vermelho e o verde, que aparecem para eles como tons de cinza. Esta limitação é semelhante ao que os humanos com daltonismo vermelho-verde experimentam. Por exemplo, uma bola vermelha em um gramado verde pode parecer da mesma cor que a grama, dificultando a sua localização. No entanto, uma bola azul seria facilmente visível contra o fundo verde.
A evolução dos cães para ter uma visão dicromática está relacionada às suas necessidades ancestrais. Os lobos, antecessores dos cães domésticos, eram predadores que caçavam ao amanhecer e ao entardecer, quando a luz é mais fraca. Nessas condições, a capacidade de distinguir cores não é tão crucial quanto a sensibilidade ao movimento e à luz fraca. Portanto, os cães desenvolveram uma visão mais adaptada a detectar movimento e ver em condições de pouca luz, em vez de distinguir uma ampla gama de cores.
Além disso, os olhos dos cães possuem mais bastonetes do que os humanos. Os bastonetes são células sensíveis à luz que não distinguem cores, mas são muito eficazes em detectar movimento e funcionar em condições de baixa luminosidade. Isso permite que os cães vejam melhor no escuro e percebam movimentos com mais facilidade, habilidades que são cruciais para um predador noturno.
Os cães também possuem uma estrutura chamada tapetum lucidum, uma camada refletora situada atrás da retina, que aumenta a quantidade de luz disponível para os fotorreceptores. Isso melhora a visão noturna dos cães, mas também causa um brilho nos olhos quando são iluminados por uma luz direta, como faróis de carro ou uma lanterna.
Mesmo com a limitação na percepção de cores, os cães compensam com outros sentidos apurados, como o olfato e a audição, que são muito mais desenvolvidos do que nos humanos. Isso lhes permite perceber o mundo de maneiras que vão além da visão.
Entender a visão canina é importante para donos e treinadores. Ao escolher brinquedos para cães, é útil optar por cores que eles possam ver claramente, como azul e amarelo, em vez de vermelho ou verde. Esta consideração pode ajudar a melhorar a eficácia do treinamento e a satisfação do cão.
Em conclusão, a visão dicromática dos cães, juntamente com sua capacidade superior de detectar movimento e ver em condições de pouca luz, mostra como suas adaptações evolutivas são perfeitamente alinhadas com suas necessidades. Ao compreender melhor como os cães enxergam o mundo, podemos cuidar melhor deles e apreciar a singularidade de sua percepção sensorial.